terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MMXIV

Não farei promessas a ninguém
...ainda menos para mim
Vou sonhando desse jeito
silencioso, inquieto
despreocupado com desdém...

destilando utopias vãs,
Sereno ei de estar;
Se tiver um entardecer,
um ventinho devagar,
uns sorrisos de crianças,
um lugar pra descansar...
E um café em minhas manhãs...

Eu, sendo insignificante
tendo uns sonhos delirantes...
o gosto amargo dum cigarro-
uma caneta, um pensamento
e uns livros na estante...

E o tempo varre meu tempo
Minha senda se encurta;
Se nessa vida, eu menti
se no amor não fui atento
sei, tem coisas que não lembro
quais não se apagarão
e as terei pro meu alento...

Não farei promessas...
Da esperança me desprendo.
Sei, na vida não há planos
só quero a calmaria
para usar naqueles dias
quando estou com pressa...


David 31-12-2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

céu

Atmosfera
Ah como eu amo o céu...
Toda vez que elevo os meus olhos, vejo quão pequeno sou diante da sua imensidão...
Logo eu, que cheguei a me ver grande...
Não passo de uma fração de carbono, ínfimo!
...suspenso.
As nuvens se moldam, faceiras.
pra tentar te embelezar ainda mais...
...e se desfazem.
Eu também, diante de ti
Como nuvem, me desfaço...
David

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

..--..

Atrofia

Decidi naquela noite morna,
Quando nada mais valia a pena...
Quando eu estava parado, sentado,
Levantar e começar a me mover...
Por entre portas destrancadas.
E escadarias infinitas...
Fixei firmemente o punho no corrimão,
E cada passo parecia mais distante do anterior
Cada passo foi tão único...
Havia milhas e milhas de escadas,
Suficientes para causar a exaustão
Todo espaço era amplo...
Com portas e vidraças por todos lados
Pessoas sentadas nos cafés
Felizes...
Estava aterrorizado pelo significado
Portas sem fechaduras
Mas eu não podia entrar
Quando eu já não tinha forças
Ela apareceu e me pegou pelo braço
Tinha duas vozes saindo de sua boca
Era incompreensível o que falava
Havia duas pessoas conversando em meu cérebro
E nesse momento tudo ficou frio...
Fui puxado e jogado pra trás...
...e percebi o ato em forma de pergunta
Quando foi que você se tornou tão infeliz?
Levanto minha cabeça e vejo uma escada
Recobro a consciência e estou sozinho
Arrasto-me lentamente...
Continuo subindo, subindo
O ar fica fino, sufocante...
...me esforço
até parar de respirar.
E de repente eu vi que estava
do lado de fora, num platô...
Como um sótão...
..sem caixas e sem teto
Posso ver um milhão de telhados daqui
E pude ver a verdade...
...o sentimento,
então fui devorado...
E dentro das mandíbulas da imensidão
Ouvi seus uivos de dor...
e em forma de música
obtive a resposta...
Que sou tão pequeno!
Tão pequeno...
menor que uma estrela...

                                                                                    David 18-10-2013








sábado, 24 de agosto de 2013


O silêncio que precede a chuva

Por favor segure minha mão...
...as vezes tenho medo.
Não existe conforto quando estou longe.
Não me sinto seguro aqui fora.
As folhas flutuam com o vento
O céu se acinzenta lentamente
Sinto um pavor invadir-me...
Evito procurar, chorar...
...sozinho.
Não importa quão assombrado eu esteja...
Quando você está por perto,
Tudo parece ficar bem
Só não solta minha mão...
Posso ver acima da linha dos telhados
Vejo uma senhora tirando as roupas do varal,
...vejo um quintal.
As crianças correm no fim da rua
Uma tela me é posta em preto e branco,
Existem tantos detalhes que meus olhos marejados custam perceber
Eu odeio te ferir tanto assim
E odeio me ferir também
Seus segredos me cegam como nuvens poluídas.
Como a poeira que se assenta com a chuva
Que a verdade floresça em nós.
E as flores cubram a terra...
Tem uma porção de água suspensa no céu
Que nunca cai no deserto.
Viajam a mil pés de altura...
Tão longe e tão dentro de nós.
A vida se vestiu de tempestade
Contínua...ininterrupta.
Tocando meu coração ressequido...
...silenciosamente.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas...

...Como desaparecer completamente?
Hoje eu caminhei sozinho por uma calçada desnivelada, do meu lado direito um muro interminável que se alternava com grades verdes que formavam listras de sombra e luz em meu rosto, desfocando a minha visão. Ora grades, outra muros.
Consegui ver todas as camadas que formavam o momento, entendia o céu cinzento e pálido refletindo sob minhas angustias, os quadrados sem cimento da calçada de onde saiam árvores. Percebia, que mesmo calado, o céu desabava a chorar em mim, e nas árvores. E o vento não levava embora o que estava dentro, pelo contrário, trazia mais coisas de fora.Tinha um poder devastador sobre os papéis organizados em minha mente, nas folhas das árvores e no curso das gotas de chuva. Por algum tempo tentei me equilibrar no meio-fio, mas logo percebi a dificuldade que os efeitos climáticos exerciam sobre mim. Continue próximo ao muro...
Me lembro das pessoas correndo, buscando abrigo da chuva e do frio, e me lembro de desejar congelar. Quando tudo silencia ou quando só se almeja o silêncio, parece que os barulhos mais imperceptíveis se tornam estrondos gigantescos dentro de você. Hoje foi um dia estranho, um dos mais “silenciosamente barulhentos” que já tive.
Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas que me cercavam, continuei caminhando sem direção, seguindo os muros e grades como ponto de referência pra um lugar dentro de mim, um lugar que eu não sabia onde ia dar. As marcas na calçada, as árvores, eram como marca páginas, pro caso de querer parar de ler o ambiente, ou de me perder.

Hoje por alguns minutos, eu egoistamente, desfrutei do lado sádico da solidão. E por algum tempo acreditei ter desaparecido completamente...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dreams...


     Imperfeito

      Qual seria o fim perfeito para vidas imperfeitas?
     Tenho detestado a forma como perco o controle sobre minha história, não que eu desejasse que tudo fosse diferente, só é difícil ser impossibilitado de optar as questões sobre você mesmo.
      O que escrevo hoje já está escrito em mim na forma de cicatrizes, muitas delas é verdade, são como medalhas de honra e bravura, mas muitas também são os açoites que não pude evitar.
      O tempo pousa sobre mim enrugando minha pele e envelhecendo os meus ossos. O tempo, implacável, tem me beijado furtivamente tentando desviar minha mente do que eu acredito, assim não há forças para lutar quando você já está viciado o suficiente em ser derrotado, e ele o tempo, é estranhamente a força mais poderosa que existe.
      Ando com pés descalços por uma estrada com pedras pontiagudas e de tarde, quando o silêncio predomina, minha alma também silencia. O que me resta é a vermelhidão vertiginosa que me envolve e me congela em doces lembranças e um cinismo chamado esperança. Tento me lembrar das tardes felizes da infância onde a única diferença que realmente importava era a questão do sol, se ele sairia ou não. Mesmo que chovesse o dia inteiro, a brincadeira, a mais sadia atitude humana, não deixaria de acontecer. Onde deixamos de brincar? Porque mesmo em dias ensolarados, a vida é tão cinza?
     Hoje me apego em tais lembranças e esse cheiro da infância é perturbador, a responsabilidade é um peso sem dignidade que te impulsiona a extintos primitivos por sobrevivência.
Lembro-me claramente dum sonho que tive onde via crianças sendo massacradas porque naquele mundo distinto, rir e brincar eram proibidos. O prazer pelos doces era pecado, e os brinquedos, os pequeninos eram os brinquedos dos adultos. Eles tinham os olhos acinzentados e vazios, suas expressões eram como as dum objeto qualquer, menos de gente. Tive medo! Só queria tirá-las daquele lugar. Então vi um menino sentado num canto e meu coração se apertou dentro de mim, era eu...estava lá com meus olhos cinzas e meu rosto sem expressão. Chorei comigo...
     Depois daquele sonho, eu posso tocar o vento, deito de costas no chão e consigo ver várias figuras nas nuvens, e penso qual seria meu final perfeito... 
                                                                    David 10-07-2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

lata


Enlatados

Seriam todas as sardinhas iguais nas suas latas?
Existem um padrão de qualidade pra enlatá-las?
Quantas doentes seriam descartadas?
Quais os remédios seriam ministrados?
Você pinga.
Você inala.
Você injeta.
Você engole.
E eles curam praticamente tudo...
Vivo numa lata com sardinhas desajustadas, viciadas!
Remédios pra depressão, pra deprimir.
Remédios pra tesão, remédios pra dormir.
Pra quem não sabe nadar, pra quem não sabe sorrir.
Tem sardinha tão maluca que quer comer o albatroz.
Tem sardinha tão insana que quer ser comida com arroz.
Um grupinho hidrofóbico se sentindo deslocado.
Uma sardinha de batina me falando de pecado.
Vivem passeando com camarões de estimação.
Adoram o perigo de nadar na contramão.
Contrariaram hipertensão por causa da água salgada.
Tem sardinha deprimida se jogando da sacada.
Vivem se escondendo com medo dos tubarões.
Ficam questionando as absurdas condições.
E eu me pergunto: o que há de errado?
Não somos da mesma espécie num mundinho enlatado?

quarta-feira, 29 de maio de 2013


Alzheimer

Guardo todas as palavras em mim, porque já se foi o tempo de falá-las.
Guardo o tempo perdido afim de me arrepender dos passos que nunca dei.
Guardo a visão do céu vermelho na esperança de um dia tornar a vê-lo.
Guardo aquele cheiro que tanto me entorpeceu.

Guardo a verdade em mim para os dias que eu perder o foco.
Guardo as lembranças mais sutis do dia que vi os raios de sol embaixo d'água.
Guardo a felicidade que é uma faca contra meu pescoço
Guardo um monte de areia onde construí pontes e tuneis espiralados.

Guardo aquele abraço em que pude me perder.
Guardo o caminho que nunca estive antes.
Guardo tantos saltos impossíveis de fazer hoje.
Guardo o cheiro da chuva, do ralo e das flores.

Guardo mágoa, raiva, desprezo.
Guardo admiração e respeito
Guardo o cheiro da fumaça e a alegria na fogueira.
Guardo seu sorriso que tanto me agrada.

Guardo medos bobos e infantis.
Guardo o frescor da sombra duma árvore qualquer.
Guardo o gosto dum cigarro.
Guardo um rosto engraçado.

Guardo a tristeza de um palhaço.
Guardo a esperança frágil.
Guardo Deus em um cofrinho com moedas.
Guardo uma fome insaciável por mentiras que me confortam.

Guardo a terrível porém linda visão da guerra.
Guardo uma estrela suspensa no nada.
Guardo a música que tenho vergonha de cantar.
Guardo minha cabeça oca numa sacola de plástico.


David 29-05-2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

sometimes

Financie

A chuva toca a janela e eu ouço os pingos sem poder vê-los 
Vidros embaçados, encardidos... 
Uma estrela sempre anda da direita pra esquerda...
Nunca se pode ver o por do sol olhando para o leste?
Sorria como se você quisesse sorrir ...
Perca-se tentando achar o que você mesmo guardou .
Guarde um pouco de tempo...
Gaste-o nas horas vagas 
Sorria sempre como se fosse verdade
Como se fosse de verdade...
Minta somente pra se proteger
Minta ainda mais pra proteger um amigo.
Nunca haverá a mesma nuvem nem o mesmo céu
Enlouqueça para se manter são.
Perca os sentidos através de estímulos externos.
Substâncias lícitas...
Odeie todo dia a vida e a morte 
Ame viver...
O céu é sempre mais bonito a tarde 
Mantenha esse sorriso forçado firme 
Cerre o dentes na hora da injeção 
Relaxe.
Tudo o que fizer, faça com amor 
Mesmo odiando...
Doe tempo mas não se atrase... 
A praia pode ser melhor no inverno.
Uma árvore nasce nas grades de ferro duma varanda qualquer.
O avião é uma estrela em movimento.
Cubra as costas no inverno...
Livre a alma do inferno.
Faça uma fogueira com mendigos...
Faça amigos.
Tenha fé mesmo com juros tão altos.
Gaste mais do que você ganha.
Financie...


David 13-05-2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

...



 Pôr do sol

Mais um dia que termina
Mais uma fuga se realiza
Toda vermelhidão do céu
E essa maldita agonia

As nuvens choram e se pintam
O silêncio e a despedida
Um cansaço sorrateiro
Uma saudade infinita

Nunca pude entender
Agora menos ainda
O que a beleza do entardecer
Exerce sobre a vida

Antes do sol se pôr
Com sua melancolia
Todos voltam para casa
Todos temos que voltar um dia...

David 17-04-2013

domingo, 17 de março de 2013

o discurso


O discurso

E pude observar-te enquanto discursavas num tom demasiadamente eloquente.
Passei horas pensando no sentido psicológico que tal entonação provoca nos ouvintes e porque preferimos a eloquência à verdade de pensar.
Fomos condicionados a pensar através de outras mentes, a seguir rastros confortáveis e padrões pré-configurados que margeiam as linhas a que devêssemos seguir.
Num dia não muito típico em que a introspecção me absorve, quis entender porque precisamos de um líder, seja ele qual for, espiritual, político ou mesmo cultural para nos influenciar ou para simplesmente dar razão a essa vida insignificante.
Fazemos todos parte de um modelo egoisticamente definido onde a liberdade é apenas uma alusão do que significa ser livre. Ter liberdade hoje é reinar sobre os outros homens e sobre tudo que existe na terra, principalmente sobre os recursos que dela tiramos para sobreviver.
Até mesmo deuses são criados com o propósito de escravizar as pessoas para que delas se extraia a obediência que muitas vezes só era obtida através da força, forçando-as pensar que seu destino foi traçado e que seu sofrimento será compensado em uma vida fora dessa latrina que vivemos, assim se torna extremamente fácil conduzi-las por um caminho onde a elite e seus elitistas acham conveniente que eles andem. Seria o planeta herança de uns poucos escolhidos?
A elite decide o que é certo e errado, os padrões a serem seguidos e cabe a mídia globalizada a responsabilidade de “impô-los” de forma sutil e um tanto quanto pop. Hoje somos influenciados no que comemos, vestimos e a forma espiritualmente ética de vivermos em sociedade. Tudo isso com um veículo de comunicação e um fantoche que discursa eloquentemente bem.

David 17-03-2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Lá em cima



A montanha

Quando você se sente afundado até o pescoço...
Quando você olha para todos os lados e se vê naufragando
Quando a indignação se sobrepõe a esperança
Quando o ódio pela vida te desorienta
E um dia cansativo muda tudo...
... você decide subir.
A paz volta a germinar em seu peito
Um sorriso duma criança torna-se lindo novamente
Um abraço se torna um lugar aconchegante
Todo desprezo fica lá em cima
Como se a sensibilidade pelo simples retornasse
Você respira...
Sua alma se enche de música
Silenciosamente melodiosa...
E aquela obstinação pelo progresso
Se torna poesia...
Quando o preço é maior que o valor
Quando o sono for melhor do que sonhar
Quando a ética corrompida me absorve
E os falsos valores me guiarem
Nos lugares altos...
O silêncio me trará de volta
E lá de cima posso ver...
Quem sou aqui embaixo.

David 12-03-2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

...


O abrigo

Eu fugi inundado de vergonha...
Enquanto todos iam pra direita
Eu corria em sentido oposto
E seu maldito jeito de me olhar
Mantinha-me tão acuado...

Seu olhar próximo demais
Podia ver as marcas na sua pele.
E quantos pregos não preguei no seu rosto?
E quanta tinta não usei pra te maquiar...

Você muito mais velha e eu tão jovem
Nossa história não foi contada...
Talvez nem lembramos mais
Aquelas doces manhãs chuvosas.

Seu jeito tão peculiar de me abrigar
O extremo desconforto de estar em seus braços
A vergonha que você me causava quando meus amigos te viam
Naquele dia fiz um juramento
Que chegaria um dia que você me veria sem lágrimas

É muito difícil quando se é jovem
Aceitar a simplicidade...
Nunca aceitei a forma simples que você me amava
Ao mesmo tempo que escondia todos os podres familiares

Eu sempre odiei esse seu jeito calado
Meu coração inconstante
Com olhos atordoados
Esforçando-me pra encontrar
Qualquer verdade em suas mentiras

Acho que nunca houve verdade em você
Minha alma tropeça em lembranças
Nos seus beijos falsos
naqueles dias “felizes”
que você me via dormir...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Some things about us


Some things about us

When i
When i sing
About you
About me
When i 
When i feel
All that  things 
About us
Hanging on
Just hanging on
And all is gonna be alright
Alright

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A musica

Você é tão sonhador... 

A ponto de colocar o mundo no lugar?
Quero voltar pra casa
Desaparecer completamente
E na inércia..
Montar trilhas
Me esconder atrás de sacos de areia
Chove tanto em Janeiro
Não tem pra onde fugir
Você pode berrar, gritar
Eu sou a criança presa no seu carro quente
Você me ouve sufocando?
E choverá até abril
Moscas estão zunindo na minha cabeça
E esse cheiro horrível?
Estão todos boiando ao redor
Porque tem tanta gente morta aqui?
Se ao menos parasse de chover.
Eu sou um inseto batendo na sua janela
Querendo um pouco de luz.
Um luar cheio de estrelas...
 ... é longe demais pra voar até lá.
Eu trabalho, eu sangro, eu imploro, eu rezo
Me deixa entrar?
Não há onde eu me sentar sem uma arma em minha mão.
Eu já me arrisquei demais tentando mudar as coisas.
Eu queria poder acreditar de verdade.
Seria tão fácil se...
... se fosse mais forte.
No meu mundo o diabo dança e desafia
E eu fico por ai 
esperando que você me cante uma canção 
pra melhorar o resto do meu dia.


David 18/ 10/2012


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Equívoco

Equívoco 

Eu já nem sei em que acreditar
ou se um dia acreditei...
Tento firmar meus pés em uma verdade plausível 
Tento caminhar de olhos abertos
e sempre tropeço nos acertos
Será possível existir tanta maldade?
Meus objetos de afeição me traem...
Eu que já perdi o medo do escuro
as vezes prefiro andar de dia.
Porque as vezes é tão fácil ser eu mesmo,
que até esqueço de colocar a máscara da sensatez 
As ideias absurdas mas politicamente corretas 
e os desejos íntimos e egoístas me desgastam
Talvez eu não sonhe com cercas brancas
os alambrados me atraem.
E essa falsa sensação de liberdade...
Vejo olhos  por todas as partes...
...humanos 
 eletrônicos.
Tento lidar com o aceitável,
Mentir pra ser aceito.
E essa maldita incerteza que corrói 
que mentiras podem ser bem úteis  
e mais genuínas que as falsas verdades... 
                                                                 
                   David 12/02/2013