sexta-feira, 18 de outubro de 2013

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Atrofia

Decidi naquela noite morna,
Quando nada mais valia a pena...
Quando eu estava parado, sentado,
Levantar e começar a me mover...
Por entre portas destrancadas.
E escadarias infinitas...
Fixei firmemente o punho no corrimão,
E cada passo parecia mais distante do anterior
Cada passo foi tão único...
Havia milhas e milhas de escadas,
Suficientes para causar a exaustão
Todo espaço era amplo...
Com portas e vidraças por todos lados
Pessoas sentadas nos cafés
Felizes...
Estava aterrorizado pelo significado
Portas sem fechaduras
Mas eu não podia entrar
Quando eu já não tinha forças
Ela apareceu e me pegou pelo braço
Tinha duas vozes saindo de sua boca
Era incompreensível o que falava
Havia duas pessoas conversando em meu cérebro
E nesse momento tudo ficou frio...
Fui puxado e jogado pra trás...
...e percebi o ato em forma de pergunta
Quando foi que você se tornou tão infeliz?
Levanto minha cabeça e vejo uma escada
Recobro a consciência e estou sozinho
Arrasto-me lentamente...
Continuo subindo, subindo
O ar fica fino, sufocante...
...me esforço
até parar de respirar.
E de repente eu vi que estava
do lado de fora, num platô...
Como um sótão...
..sem caixas e sem teto
Posso ver um milhão de telhados daqui
E pude ver a verdade...
...o sentimento,
então fui devorado...
E dentro das mandíbulas da imensidão
Ouvi seus uivos de dor...
e em forma de música
obtive a resposta...
Que sou tão pequeno!
Tão pequeno...
menor que uma estrela...

                                                                                    David 18-10-2013








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