sábado, 24 de agosto de 2013


O silêncio que precede a chuva

Por favor segure minha mão...
...as vezes tenho medo.
Não existe conforto quando estou longe.
Não me sinto seguro aqui fora.
As folhas flutuam com o vento
O céu se acinzenta lentamente
Sinto um pavor invadir-me...
Evito procurar, chorar...
...sozinho.
Não importa quão assombrado eu esteja...
Quando você está por perto,
Tudo parece ficar bem
Só não solta minha mão...
Posso ver acima da linha dos telhados
Vejo uma senhora tirando as roupas do varal,
...vejo um quintal.
As crianças correm no fim da rua
Uma tela me é posta em preto e branco,
Existem tantos detalhes que meus olhos marejados custam perceber
Eu odeio te ferir tanto assim
E odeio me ferir também
Seus segredos me cegam como nuvens poluídas.
Como a poeira que se assenta com a chuva
Que a verdade floresça em nós.
E as flores cubram a terra...
Tem uma porção de água suspensa no céu
Que nunca cai no deserto.
Viajam a mil pés de altura...
Tão longe e tão dentro de nós.
A vida se vestiu de tempestade
Contínua...ininterrupta.
Tocando meu coração ressequido...
...silenciosamente.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas...

...Como desaparecer completamente?
Hoje eu caminhei sozinho por uma calçada desnivelada, do meu lado direito um muro interminável que se alternava com grades verdes que formavam listras de sombra e luz em meu rosto, desfocando a minha visão. Ora grades, outra muros.
Consegui ver todas as camadas que formavam o momento, entendia o céu cinzento e pálido refletindo sob minhas angustias, os quadrados sem cimento da calçada de onde saiam árvores. Percebia, que mesmo calado, o céu desabava a chorar em mim, e nas árvores. E o vento não levava embora o que estava dentro, pelo contrário, trazia mais coisas de fora.Tinha um poder devastador sobre os papéis organizados em minha mente, nas folhas das árvores e no curso das gotas de chuva. Por algum tempo tentei me equilibrar no meio-fio, mas logo percebi a dificuldade que os efeitos climáticos exerciam sobre mim. Continue próximo ao muro...
Me lembro das pessoas correndo, buscando abrigo da chuva e do frio, e me lembro de desejar congelar. Quando tudo silencia ou quando só se almeja o silêncio, parece que os barulhos mais imperceptíveis se tornam estrondos gigantescos dentro de você. Hoje foi um dia estranho, um dos mais “silenciosamente barulhentos” que já tive.
Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas que me cercavam, continuei caminhando sem direção, seguindo os muros e grades como ponto de referência pra um lugar dentro de mim, um lugar que eu não sabia onde ia dar. As marcas na calçada, as árvores, eram como marca páginas, pro caso de querer parar de ler o ambiente, ou de me perder.

Hoje por alguns minutos, eu egoistamente, desfrutei do lado sádico da solidão. E por algum tempo acreditei ter desaparecido completamente...