Imperfeito
Qual seria o fim
perfeito para vidas imperfeitas?
Tenho detestado a
forma como perco o controle sobre minha história, não que eu
desejasse que tudo fosse diferente, só é difícil ser
impossibilitado de optar as questões sobre você mesmo.
O que escrevo hoje já
está escrito em mim na forma de cicatrizes, muitas delas é verdade,
são como medalhas de honra e bravura, mas muitas também são os
açoites que não pude evitar.
O tempo pousa sobre
mim enrugando minha pele e envelhecendo os meus ossos. O tempo,
implacável, tem me beijado furtivamente tentando desviar minha mente
do que eu acredito, assim não há forças para lutar quando você já
está viciado o suficiente em ser derrotado, e ele o tempo, é
estranhamente a força mais poderosa que existe.
Ando com pés
descalços por uma estrada com pedras pontiagudas e de tarde, quando
o silêncio predomina, minha alma também silencia. O que me resta é
a vermelhidão vertiginosa que me envolve e me congela em doces
lembranças e um cinismo chamado esperança. Tento me lembrar das
tardes felizes da infância onde a única diferença que realmente
importava era a questão do sol, se ele sairia ou não. Mesmo que
chovesse o dia inteiro, a brincadeira, a mais sadia atitude humana,
não deixaria de acontecer. Onde deixamos de brincar? Porque mesmo em
dias ensolarados, a vida é tão cinza?
Hoje me apego em tais
lembranças e esse cheiro da infância é perturbador, a
responsabilidade é um peso sem dignidade que te impulsiona a
extintos primitivos por sobrevivência.
Lembro-me claramente
dum sonho que tive onde via crianças sendo massacradas porque
naquele mundo distinto, rir e brincar eram proibidos. O prazer pelos
doces era pecado, e os brinquedos, os pequeninos eram os brinquedos
dos adultos. Eles tinham os olhos acinzentados e vazios, suas
expressões eram como as dum objeto qualquer, menos de gente. Tive
medo! Só queria tirá-las daquele lugar. Então vi um menino sentado
num canto e meu coração se apertou dentro de mim, era eu...estava
lá com meus olhos cinzas e meu rosto sem expressão. Chorei
comigo...
Depois daquele sonho, eu posso tocar o
vento, deito de costas no chão e consigo ver várias figuras nas
nuvens, e penso qual seria meu
final perfeito...
David 10-07-2013
David 10-07-2013