quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dreams...


     Imperfeito

      Qual seria o fim perfeito para vidas imperfeitas?
     Tenho detestado a forma como perco o controle sobre minha história, não que eu desejasse que tudo fosse diferente, só é difícil ser impossibilitado de optar as questões sobre você mesmo.
      O que escrevo hoje já está escrito em mim na forma de cicatrizes, muitas delas é verdade, são como medalhas de honra e bravura, mas muitas também são os açoites que não pude evitar.
      O tempo pousa sobre mim enrugando minha pele e envelhecendo os meus ossos. O tempo, implacável, tem me beijado furtivamente tentando desviar minha mente do que eu acredito, assim não há forças para lutar quando você já está viciado o suficiente em ser derrotado, e ele o tempo, é estranhamente a força mais poderosa que existe.
      Ando com pés descalços por uma estrada com pedras pontiagudas e de tarde, quando o silêncio predomina, minha alma também silencia. O que me resta é a vermelhidão vertiginosa que me envolve e me congela em doces lembranças e um cinismo chamado esperança. Tento me lembrar das tardes felizes da infância onde a única diferença que realmente importava era a questão do sol, se ele sairia ou não. Mesmo que chovesse o dia inteiro, a brincadeira, a mais sadia atitude humana, não deixaria de acontecer. Onde deixamos de brincar? Porque mesmo em dias ensolarados, a vida é tão cinza?
     Hoje me apego em tais lembranças e esse cheiro da infância é perturbador, a responsabilidade é um peso sem dignidade que te impulsiona a extintos primitivos por sobrevivência.
Lembro-me claramente dum sonho que tive onde via crianças sendo massacradas porque naquele mundo distinto, rir e brincar eram proibidos. O prazer pelos doces era pecado, e os brinquedos, os pequeninos eram os brinquedos dos adultos. Eles tinham os olhos acinzentados e vazios, suas expressões eram como as dum objeto qualquer, menos de gente. Tive medo! Só queria tirá-las daquele lugar. Então vi um menino sentado num canto e meu coração se apertou dentro de mim, era eu...estava lá com meus olhos cinzas e meu rosto sem expressão. Chorei comigo...
     Depois daquele sonho, eu posso tocar o vento, deito de costas no chão e consigo ver várias figuras nas nuvens, e penso qual seria meu final perfeito... 
                                                                    David 10-07-2013

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