Ainda convicto de todas as superfícies
ínfimas...
...Como desaparecer completamente?
Hoje eu caminhei sozinho por uma
calçada desnivelada, do meu lado direito um muro interminável que
se alternava com grades verdes que formavam listras de sombra e luz
em meu rosto, desfocando a minha visão. Ora grades, outra muros.
Consegui ver todas as camadas que
formavam o momento, entendia o céu cinzento e pálido refletindo sob
minhas angustias, os quadrados sem cimento da calçada de onde saiam
árvores. Percebia, que mesmo calado, o céu desabava a chorar em
mim, e nas árvores. E o vento não levava embora o que estava
dentro, pelo contrário, trazia mais coisas de fora.Tinha um poder
devastador sobre os papéis organizados em minha mente, nas folhas
das árvores e no curso das gotas de chuva. Por algum tempo tentei me
equilibrar no meio-fio, mas logo percebi a dificuldade que os efeitos
climáticos exerciam sobre mim. Continue próximo ao muro...
Me lembro das pessoas correndo,
buscando abrigo da chuva e do frio, e me lembro de desejar congelar.
Quando tudo silencia ou quando só se almeja o silêncio, parece que
os barulhos mais imperceptíveis se tornam estrondos gigantescos
dentro de você. Hoje foi um dia estranho, um dos mais
“silenciosamente barulhentos” que já tive.
Ainda convicto de todas as superfícies
ínfimas que me cercavam, continuei caminhando sem direção,
seguindo os muros e grades como ponto de referência pra um lugar
dentro de mim, um lugar que eu não sabia onde ia dar. As marcas na
calçada, as árvores, eram como marca páginas, pro caso de querer
parar de ler o ambiente, ou de me perder.
Hoje por alguns minutos, eu
egoistamente, desfrutei do lado sádico da solidão. E por algum
tempo acreditei ter desaparecido completamente...
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