quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas...

...Como desaparecer completamente?
Hoje eu caminhei sozinho por uma calçada desnivelada, do meu lado direito um muro interminável que se alternava com grades verdes que formavam listras de sombra e luz em meu rosto, desfocando a minha visão. Ora grades, outra muros.
Consegui ver todas as camadas que formavam o momento, entendia o céu cinzento e pálido refletindo sob minhas angustias, os quadrados sem cimento da calçada de onde saiam árvores. Percebia, que mesmo calado, o céu desabava a chorar em mim, e nas árvores. E o vento não levava embora o que estava dentro, pelo contrário, trazia mais coisas de fora.Tinha um poder devastador sobre os papéis organizados em minha mente, nas folhas das árvores e no curso das gotas de chuva. Por algum tempo tentei me equilibrar no meio-fio, mas logo percebi a dificuldade que os efeitos climáticos exerciam sobre mim. Continue próximo ao muro...
Me lembro das pessoas correndo, buscando abrigo da chuva e do frio, e me lembro de desejar congelar. Quando tudo silencia ou quando só se almeja o silêncio, parece que os barulhos mais imperceptíveis se tornam estrondos gigantescos dentro de você. Hoje foi um dia estranho, um dos mais “silenciosamente barulhentos” que já tive.
Ainda convicto de todas as superfícies ínfimas que me cercavam, continuei caminhando sem direção, seguindo os muros e grades como ponto de referência pra um lugar dentro de mim, um lugar que eu não sabia onde ia dar. As marcas na calçada, as árvores, eram como marca páginas, pro caso de querer parar de ler o ambiente, ou de me perder.

Hoje por alguns minutos, eu egoistamente, desfrutei do lado sádico da solidão. E por algum tempo acreditei ter desaparecido completamente...

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