O abrigo
Eu fugi inundado de vergonha...
Enquanto todos iam pra direita
Eu corria em sentido oposto
E seu maldito jeito de me olhar
Mantinha-me tão acuado...
Seu olhar próximo demais
Podia ver as marcas na sua pele.
E quantos pregos não preguei no seu
rosto?
E quanta tinta não usei pra te
maquiar...
Você muito mais velha e eu tão jovem
Nossa história não foi contada...
Talvez nem lembramos mais
Aquelas doces manhãs chuvosas.
Seu jeito tão peculiar de me abrigar
O extremo desconforto de estar em seus
braços
A vergonha que você me causava quando
meus amigos te viam
Naquele dia fiz um juramento
Que chegaria um dia que você me veria
sem lágrimas
É muito difícil quando se é jovem
Aceitar a simplicidade...
Nunca aceitei a forma simples que você
me amava
Ao mesmo tempo que escondia todos os
podres familiares
Eu
sempre odiei esse seu jeito calado
Meu
coração inconstante
Com
olhos atordoados
Esforçando-me
pra encontrar
Qualquer
verdade em suas mentiras
Acho
que nunca houve verdade em você
Minha
alma tropeça em lembranças
Nos
seus beijos falsos
naqueles
dias “felizes”
que
você me via dormir...
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