segunda-feira, 11 de março de 2013

...


O abrigo

Eu fugi inundado de vergonha...
Enquanto todos iam pra direita
Eu corria em sentido oposto
E seu maldito jeito de me olhar
Mantinha-me tão acuado...

Seu olhar próximo demais
Podia ver as marcas na sua pele.
E quantos pregos não preguei no seu rosto?
E quanta tinta não usei pra te maquiar...

Você muito mais velha e eu tão jovem
Nossa história não foi contada...
Talvez nem lembramos mais
Aquelas doces manhãs chuvosas.

Seu jeito tão peculiar de me abrigar
O extremo desconforto de estar em seus braços
A vergonha que você me causava quando meus amigos te viam
Naquele dia fiz um juramento
Que chegaria um dia que você me veria sem lágrimas

É muito difícil quando se é jovem
Aceitar a simplicidade...
Nunca aceitei a forma simples que você me amava
Ao mesmo tempo que escondia todos os podres familiares

Eu sempre odiei esse seu jeito calado
Meu coração inconstante
Com olhos atordoados
Esforçando-me pra encontrar
Qualquer verdade em suas mentiras

Acho que nunca houve verdade em você
Minha alma tropeça em lembranças
Nos seus beijos falsos
naqueles dias “felizes”
que você me via dormir...

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